Orvalho

Me perdoem os que bradam
Que gritam a todos
Pertenço aos delicados
Que delicadamente berram
E delicadamente não são
Na vida
Desesperados

Entregues ao silêncio de si
E por isso não fazem
Alardear
Dispensam olhar para a realidade
Preferem as asas de borboleta
Preferem o mistério
De amar

Me perdoem os contidos
Mas sou dos que transbordam
Que acumulam dores
Que emanam seus ruídos
Que todos ouvem calados
Chorar
Sussurros de amor
Gemidos

Me perdoem os invejosos
Mas sou dos que amam
Quem ama não fere
Não por serem espécie
De santos
Mas por não terem tempo
Na vida curta
Senão para sentir
Na pele

Me perdoem os que garoam
Mas eu sou tempestade
Não vim para molhar
Encharco
Alago meu próprio peito
E fujo nadando
Para dentro de mim
Um barco

Nem forte demais
Nem leve demais, denso
Eu quero o profundo
Enquanto eles buscam
Um sentido pro mundo
Eu olho o universo
Intenso

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